Foi no passado dia 9 de Outubro que parti juntamente com o meu amigo Francisco Frade, para este magnifico lugar com o intuito de realizarmos o curso de canyoning (modalidade que consiste descer ribeiras). Este realizava-se entre 12 e 18 do mês em questão, em S. Jorge. Partimos de Lisboa, fizemos escala na ilha Terceira e por fim chegamos a S. Jorge. O nosso objectivo era ir antes de o curso começar, para podermos conhecer melhor a ilha e praticar um pouco de canyoning.
Assim foi, chegamos a S. Jorge e pusemo-nos a pedir boleia até Velas (vila mais desenvolvida da ilha), é inacreditável mas aqui ao contrário do continente, ninguém passa sem parar e perguntar para onde vamos. Se não for possível dar boleia, param e pedem desculpa. Podem não acreditar mas é assim. Parou um carro e para minha surpresa era o André Domingues (Campeão Europeu de Caça Submarina), também vivia aqui na Parede, mas optou por mudar de ares. Para quem não sabe os Açores são também um paraíso no que toca a esta modalidade.
Chegamos a Velas, e dirigimo-nos aos bombeiros, local este onde iríamos ficar alojados durante todo o curso. Rapidamente tomamos um banho, descartamos o material que não era necessário para os dias que iríamos ficar por nossa conta a explorar a ilha, pois não tínhamos meios de transporte e iríamos caminhar bastante (mal sabíamos nós! Não é Xico).
Saímos dos bombeiros com a bênção do comandante Gil Branco que foi muito prestável à nossa recepção e fizemo-nos à estrada.
Boleias e mais boleias, entre calado com vários momentos de caminhada, o nosso objectivo era chegar à Fajã de S. Cristo, mas acabou por não acontecer. Ficámos pela Fajã dos Cubres.
Estava quase a anoitecer mas ainda tive que ir à água apanhar o nosso jantar. Uma garoupa foi o nosso petisco. Com algum sofrimento por parte do Xico (Francisco Frade), este teve pena no acto da morte do animal. Mas foi só por uns instantes, já noite, e com a tenda montada, acendemos uma fogueira e fizemos o jantar. Garoupa no carvão! Ao princípio parecia não ter lá muito bom aspecto mas assim que demos a primeira garfadas sorrimos, “bem não está assim tão mal, podia estar um pouco mais assada”. Lá comemos e deitamo-nos, pois o dia tinha sido bastante longo.
A noite foi horrível, um vendaval gigante assombrou-nos, parecia que ia tudo pelos ares. Estávamos com algum receio, não tínhamos consultado as previsões, ou melhor não nos recordávamos, o que deixou-nos numa angústia.
Acordámos com um sol esplendor e com pouco vento. Tomámos o pequeno-almoço e depois de arrumarmos a tenda e o material todo, seguimos até à tão desejada Fajã de Santo Cristo. Cerca de duas horas de caminhada e com 30kg às costas, lá alcançamos a fajã. O primeiro impacto por nós sentido, foi o de invasão. Parecia que tínhamos invadido aquele local, as pessoas olhavam de lado para nós, pouco ou nada receptíveis. Apesar de ser um lugar com características únicas e encantador, ficámos com uma má impressão com as pessoas que lá viviam.
Parámos para beber uma cerveja e arrancamos, pois tínhamos que superar algo que desconhecíamos, ou melhor tínhamos conhecimento da distância que ainda tínhamos que percorrer (5km) mas não sabíamos que nesses 5km teríamos que superar um desnível de 700 metros.
Com um terço do caminho percorrido, encontrámos algo que à muito buscávamos, uma ribeira. Seria a nossa primeira estreia na modalidade, uma cascata com cerca de 8 metros. Lá desfizemos as malas e equipamo-nos. Cheios de vontade em estriar o material novinho, fizemo-nos à água. Comecei por montar o rappel e descer, logo de seguida o Xico seguiu-me e estivemos ali cerca de uma hora a treinar algumas técnicas e maneiras de utilizar o novo material.
Posto isto, retomámos a caminhada e alcançamos com muita dificuldade a Serra do Topo, a cerca de 700 metros de altitude. Parece pouco, mas não se esqueçam que cada um de nós tinha perto de 30kg às costas e o desnível era muito acentuado. Chegámos à estrada principal, pois tínhamos estado sempre a andar por trilhos de terra, e começamos a pedir boleia. Pode parecer contraditório com o que descrevi inicialmente, mas ninguém nos dava boleia. O tempo estava muito mau, bastante vento e nevoeiro, para além disso estava quase a anoitecer. Concluímos que as pessoas pensavam, “olha estes maluquinhos, que andaram a fazer aqui ainda por cima a uma hora destas?”. Lá com alguma paciência, parou um senhor um pouco reticente, mas assim que começamos a falar durante a viagem de regresso a Velas, percebeu que não éramos malucos, mas assim jovens aventureiros.
De volta aos bombeiros de Velas, já lá estavam outros dois amigos, o António Canhoto e o Francisco Garcia. Instalámo-nos e depois de tomar um valente banho, decidimos juntos ir jantar fora. Passamos o jantar a falar da nossa aventura e de saber como tinha corrido a viagem deles.
De rastos, devido ao esforço exercido por mim e pelo Xico, ainda houve disposição para ir ao bar da Vila, o único, beber umas cervejas. Estávamos descansados por amanhã era domingo e o curso só iria começar 2ªf.
Domingo passámos o dia a descansar e a recuperar forças para começarmos o curso.
2ªFeira começaram a chegar os outros formandos do curso, uns do continente também, como o Tiago Lopes, e a Sofia, membros da ESHTE (Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril) e outros de diversas ilhas do arquipélago açoriano. Com estes chegaram também os formadores, Francisco Silva, Pedro Pacheco, Paulo Pacheco, Mário Silva, juntamente com os monitores auxiliares Luís Bettencourt e Marco Melo.
Eram cerca das 22:00, quando começou a primeira aula teórica, onde abordamos os aspectos básicos da modalidade, como a sua história, a sua evolução, os seus perigos, o material utilizado, etc.
Durante os dias seguintes (3ª, 4ª 5ª, Sábado e Domingo) foram dias dedicados à prática desta modalidade, acordávamos perto das 8:20 e às 9:00 já estávamos de partida para as ribeiras. Várias técnicas, situações, soluções e escolhas foram tomadas ao longo destes dias. Por vezes à noite reuníamos todo numa sala e debatíamos alguns aspectos relevantes praticados durante o dia.
6ª Feira foi o dia de descanso e por coincidência era o meu dia de aniversário. Foi óptimo porque deu para nos divertirmos até um pouco mais tarde e no dia seguinte estarmos por nossa conta.
Passamos o dia a nadar, caçar e a saltar de umas rochas ao pé do porto de Velas. O maior salto vai para o Xico, foi o que saltou de mais alto, deixando os seus adversários (Garcia, António e eu) a léguas. Com isto e olhando agora para a caça submarina, consegui despertar um fascínio por parte do António e do Kiko (Francisco Garcia) por este desporto, ficaram apanhados, por assim dizer.
Com muitos outros momentos misturados com estes que acabei de referir, foi assim de modo geral que se procederam as coisas neste paraíso formidável. Agradecimento aos formadores e claro aos nosso colegas de curso, uns com algumas características particulares… heyhey!
Tudo o que está aqui escrito posso vos garantir que é verdade. Foi uma viagem fantástica. Cheia de Aventura, Adrenalina, Emoção e Alegria.
ResponderEliminarFiquei completamente apaixonado pelos Açores. Sem dúvida que é para lá voltar, talvez ás Flores!
Bom encontrar-te por aqui... Gostei de te ler!! Que vontade me deu de viajar, conhecer o desconhecido!! Já estive nos Açores mas foi na Ilha Terceira num torneio de volei e não deu para conhecer o que de melhor os Açores tem para oferecer... A beleza natural!! Quem sabe um dia não volto? Claro que sim!! É um desejo!
ResponderEliminarA primeira e única vez que fiz canyonig foi no rio poio este ano e adorei a experiência... o próprio desporto, as paisagens, tudo!! Apesar de ter sido muito cansativo e de ter ficado toda partida!! Espero repetir...
Fica com um bjo meu!
Vou passando aqui, uma forma de ter noticias tuas...
Sofia Pereira (Big Time!!)
Esta foi sem duvida das melhores semanas de sempre. Muito boa companhia, constante boa disposição e muitos conhecimentos adquiridos.
ResponderEliminarAs nossas noites no "Tamancos Bar" eram assim qualquer coisa de fantástico!:) Valeu mesmo!
Estou a gostar muito do blog, continua com isto...!
Grande abraço,
Kiko Garcia