segunda-feira, 31 de maio de 2010

O acontecimento mais frustante...

Ontem eram cerca das 18:00 quando entrei dentro de água, estava maré cheia e o mar apresentava-se mexido, com ondas de meio metrão e água bastante turva. Nadei bem para fora até ficar isento de rebentação. Retirei a arma (uma cressi-sub de 75cm) da bóia e carreguei-la. Pronto para começar desci. Nos primeiros mergulhos, apanho um choco e um polvo, ambos pequenos. O mar não estava bom para a caça destes moluscos. Estavam óptimas condições para a caça de sargos e robalos. Começo a mergulhar mais fora e avisto um cardume de robalos, com calma arpoei um, tinha cerca de 1kg. A seguir começa a ficar difícil fazer bons agachon’s, pois a maré estava a vazar e as ondas a crescerem. Sempre que tentava colocar-me numa boa posição era facilmente arrastado de um lado para o outro. Inclusive num agachon houve um robalo com cerca de 1,5kg que veio na minha direcção e quase me bateu na mascara e não consegui disparar. Passou-se algum tempo e não apanhava nada. Dirigi-me para cima de uma laje onde a ondulação era mais forte ainda. Faço um agachon em pela laje, e para minha surpresa aparece-me um robalo com 4kg mais coisa menos coisa, atiro-lhe e acerto-lhe no lombo um pouco atrás da cabeça. Vi logo que o tiro tinha sido mal dado e com cuidado fui tentando aproximar-me do peixe, até que este acabou por rasgar e fugir. Era sem dúvida um belo exemplar de robalo. Já todo frustrado por me ter fugido este peixe maravilhoso, continuo a caçar, na expectativa de poder ter a sorte de ver outro semelhante.
Com o sol a brilhar por cima de Cascais, e depois de um bom bocado sem avistar quase nada, voltei para fora da zona de rebentação. Desço, chego ao fundo, paro e para a maior surpresa da minha vida, vejo um peixe, sensivelmente do meu tamanho. Uma corvina penso eu pois com tanta emoção, tenho dificuldade em diferenciar determinados pormenores. Devia ter mais de 30kg. Sem pensar, (e vocês entendem porquê, lol) disparo-lhe na cabeça, ela começa a nadar suavemente, volto para cima e começo a puxar o peixe para mim. Assim que o peixe sente isto, começa a fazer força e começo a ser rebocado, literalmente rebocado, tento acompanhar o peixe agarrando na arma e a nadar a seu favor, para que o fio de nylon não se partisse. A força era tanta que puxou-me para baixo de água juntamente com a arma. Pensei o peixe não pode conseguir também puxar-me tanto tempo, abro as barbatanas para criar mais atrito sobre a água até que se parte a cabeça da arma onde o fio de nylon estava ligado. A suposta corvina desaparece nas profundezas com o arpão na cabeça e com o fio de nylon. Esta é a historia mais frustraste de toda a minha vida. Penso que percebem porquê…

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